mon coeur ne bat plus
posted on quinta-feira, 8 de setembro de 2011 @ 5:09 PM
Eu estou parada no tempo e no espaço, me perguntando se é sensato ou não continuar gritando. Não, não, sensato talvez eu sempre tenha sabido que não era, apenas achava que seria desculpável. Mas não é, gritando desse jeito eu me machuco todos os dias com lembranças que deviam ficar guardadinhas dentro das caixas até que eu tenha tempo e paciência para destrui-las como fiz com as outras.O caminho para fazer a voz parar de involuntariamente vibrar vai ser um pouco longo e chato; era bem mais divertido fingir que toda essa agonia ia passar quando eu recebesse um telefonema. Meu coração parou por segundos porque eu o recebi, depois voltou a bater e os segundos voltaram a contar como se o telefone nunca tievsse tocado. Essa era a deixa para eu perceber que não era isso o que eu estava esperando. Nunca foi. O que eu queria era que o telefonema tivesse um significado para ambos. Um significado importante que fizesse a voz sair do telefone e voltar para a minha rotina.
Não aconteceu. Não adianta mais pensar que vai acontecer, já que os segundos realmente voltaram a ser contados normalmente e eu estou aqui agora tentando reprimir a voz (voltei) para começar algo novo e inesperado. Algo novo e inesperadamente bom. O caminho também engloba acabar com o medo de sentir. Eu senti, senti tanto que parei, cansada, com medo de sentir de novo e sentir errado de novo.
Mas que medos, que erros? Eu nunca notei que parando essa etapa, pararia todo o resto e eu ficaria mais uma vez inerte. Imóvel, como sempre tive medo de estar. Eu só fiz acumular mais teias de aranha nas engrenagens que agora querem funcionar a toda. Eu só fiz criar mais um medo de não fazê-las funcionarem corretamente e acabar me sobrecarregando.
Medo, medo medo, tudo isso é medo mesmo? Minha psicóloga diria que eu estou me sabotando. Alguém diria que eu devo tentar, mas eu continuo aqui parada no tempo e no espaço da minha cadeira de escritório, batucando insistentemente as teclas e fazendo que não com a cabeça: não, eu não devo tentar, pelo amor de Deus, olhem para mim. Eu não sou do tipo que tenta, eu sou do tipo que desiste na primeira chance por medo dos olhares tortos que vão me direcionar quando eu finalmente fizer algo que não devia ou machucar alguém, física ou psicologicamente. Nada vai mudar enquanto eu estiver aqui.
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